Manifesto Contra o Conformismo na Gestão por Processos


Este não é um artigo técnico. É uma declaração de princípios.

Ao longo dos anos, a gestão por processos evoluiu em métodos, notações e certificações. Mas uma pergunta permanece atual:

Estamos realmente promovendo transformação ou apenas mantendo estruturas confortáveis?

Este manifesto integra o pilar Decisão, Experiência e Valor, pois trata de algo anterior à ferramenta: postura.

O que é conformismo na gestão por processos?

Conformismo é aceitar práticas ineficazes como inevitáveis. É ouvir frases como:

  • “A direção não entende o valor do BPM.”
  • “Aqui sempre foi assim.”
  • “No setor público prevalece a vontade política.”

E transformar essas frases em justificativa para a inércia. Conformismo é continuar desenhando processos sem questionar se eles geram valor.

O problema não é tecnológico

A maior mudança necessária não é tecnológica. É comportamental. Ferramentas evoluíram. Metodologias amadureceram. O que ainda falta, em muitos contextos, é coragem profissional.

BPM não falha por ausência de notação. Falha quando profissionais se acomodam.

Dizer NÃO como ato técnico

Maturidade em gestão por processos não é acumular certificações. É desenvolver capacidade de dizer NÃO. Dizer não:

  • a escopos mal definidos
  • a projetos sem objetivo claro
  • a iniciativas que geram desperdício
  • a práticas que prejudicam a sociedade

Dizer NÃO não é rebeldia. É responsabilidade técnica.

Processos não são neutros

Processos estruturam como recursos são utilizados, como decisões são tomadas e como serviços são entregues.

Processos bem desenhados podem gerar:

  • eficiência
  • qualidade
  • dignidade
  • acesso a direitos

Processos mal estruturados podem gerar:

  • desperdício
  • corrupção
  • burocracia excessiva
  • serviços de baixa qualidade

Gestão por processos não é atividade neutra. Ela impacta pessoas reais.

O mito da impotência organizacional

Uma das formas mais comuns de conformismo é a crença de que nada pode ser feito. Mas toda transformação organizacional começa em algum ponto. E esse ponto é sempre individual.

A organização não é uma entidade abstrata. Ela é composta por pessoas que tomam decisões.

O chamado à responsabilidade

Não há mais espaço para atuação automática. Profissionais de processos ocupam posição estratégica na arquitetura organizacional.

Isso exige:

  • consciência sobre impactos
  • clareza sobre propósito
  • responsabilidade sobre escolhas

Não basta executar corretamente. É preciso questionar se o que está sendo executado faz sentido.

Conexão com maturidade em BPM

Organizações maduras em BPM não se caracterizam apenas por modelos bem desenhados. Caracterizam-se por profissionais que assumem protagonismo na melhoria contínua.

O verdadeiro salto de maturidade ocorre quando a disciplina deixa de ser técnica isolada e passa a ser compromisso organizacional.

Onde aprofundar esse tema?

Reflexões sobre maturidade em BPM e responsabilidade organizacional aparecem em:

BPM Para Todos

Aspectos estruturais da atuação profissional em processos são tratados em:

Guia de Formação de Analistas de Processos (GFAP)

Conclusão

Conformismo não é prudência. É acomodação. Gestão por processos exige mais do que método.

Exige postura. Se a disciplina pretende gerar valor real, precisa ser conduzida por profissionais que assumam responsabilidade pelas consequências de suas escolhas. A transformação começa onde termina a desculpa.

Conexão com o Pilar

Este manifesto integra o conjunto de conteúdos relacionados à página Decisão, Experiência e Valor, onde aprofundo a relação entre escolhas organizacionais, execução e impactos reais.