Escritórios de Processos: Realizadores ou Orientadores na Arquitetura de Gestão?


À medida que a gestão por processos evolui dentro das organizações, uma pergunta inevitável surge:

O Escritório de Processos deve executar ou orientar?

A resposta revela o nível de maturidade em BPM.

Este tema integra o campo mais amplo tratado na página BPM & Evolução, onde organizo os principais marcos e transformações da disciplina nas últimas décadas.

O papel do Escritório de Processos não é estático. Ele evolui conforme a organização amadurece.

O que é um Escritório de Processos?

Um Escritório de Processos é a estrutura responsável por viabilizar, sustentar e evoluir a prática de BPM (Business Process Management – Gestão por Processos de Negócio) dentro da organização.

Suas atribuições normalmente incluem:

  • Divulgação e conscientização sobre gestão por processos
  • Desenvolvimento e manutenção do método organizacional de BPM
  • Capacitação de profissionais
  • Apoio a diagnósticos e projetos de melhoria
  • Estruturação de indicadores e governança processual

Mas a forma como essas atribuições são exercidas faz toda a diferença.

Escritórios realizadores: quando fazem pelo outro

Em organizações com baixa maturidade em BPM, é comum que o Escritório de Processos atue como executor. Ele concentra especialistas que realizam:

  • Levantamento de processos
  • Documentação
  • Proposição de melhorias
  • Implantação
  • Monitoramento

Funciona como uma consultoria interna. Esse modelo pode ser necessário em estágios iniciais.
Mas carrega riscos estruturais.

Riscos do modelo realizador

  1. Estrangulamento produtivo
    A equipe central torna-se gargalo.
  2. Dependência organizacional
    As áreas deixam de desenvolver competência própria.
  3. Deslocamento de responsabilidade
    Frases que indicam perda de protagonismo das áreas
    • “Isso é com o pessoal de processos.”
    • “Já pedi para eles olharem nosso fluxo.”

Quando isso acontece, BPM deixa de ser disciplina organizacional e passa a ser função isolada.

Escritórios orientadores: quando desenvolvem capacidade

Em organizações mais maduras, o Escritório de Processos assume papel orientador.

Ele não executa no lugar das áreas. Ele estrutura, orienta e sustenta a prática.

Atua como:

  • Guardião do método
  • Facilitador de capacitação
  • Catalisador de multiplicadores
  • Apoio técnico a gestores
  • Integrador entre processos e estratégia

Ferramentas como BPMN, BPMS, Lean e outras passam a ser utilizadas pelas próprias áreas, com suporte do escritório.

A mudança central

A grande diferença está na transferência de protagonismo. As áreas tornam-se responsáveis pelo desempenho de seus processos. O Escritório passa a atuar na arquitetura — não na microexecução.

Da execução à arquitetura de gestão

Quando amadurece, o Escritório de Processos deixa de ser operacional e torna-se elemento estratégico.

Passa a apoiar:

  • Estruturação da arquitetura de processos
  • Definição de indicadores de desempenho
  • Integração entre estratégia e operação
  • Governança organizacional
  • Transformação contínua

Nesse estágio, o escritório não mede apenas eficiência operacional. Ele contribui para que a organização alcance seus objetivos estratégicos e seus compromissos institucionais.

Escritório realizador ou orientador: qual é melhor?

A resposta depende do estágio de maturidade. Em fases iniciais, o modelo realizador pode ser necessário. Mas permanecer indefinidamente nesse modelo limita a evolução do BPM. 

O movimento esperado é claro:

Execução concentrada → Desenvolvimento de capacidade → Orientação estratégica.

Onde aprofundar esse tema?

A estruturação de Escritórios de Processos e a evolução da maturidade em BPM são tratadas em profundidade no livro:

Guia de Formação de Analistas de Processos (GFAP)

A visão sistêmica da disciplina e sua integração com resultados organizacionais são discutidas em:

BPM Para Todos

Reflexões críticas sobre amadurecimento institucional também aparecem em:

Dois Pontos – Reflexões Práticas sobre a Gestão por Processos

Confira em: https://www.gartcapote.com/livros

Conclusão

Um Escritório de Processos iniciante gera valor operacional. Um Escritório de Processos maduro sustenta transformação organizacional. A diferença não está na existência da estrutura.Está no nível de consciência sobre seu papel.

Escritórios de Processos não são áreas de apoio. São instrumentos de integração entre estratégia e operação.E a maturidade da organização pode ser medida exatamente por essa transição.

Conexão com o Pilar

Este artigo integra o conjunto de conteúdos relacionados à página BPM & Evolução, onde organizo os fundamentos e as transformações que moldaram a gestão por processos nas últimas décadas.