À medida que a gestão por processos evolui dentro das organizações, uma pergunta inevitável surge:
O Escritório de Processos deve executar ou orientar?
A resposta revela o nível de maturidade em BPM.
Este tema integra o campo mais amplo tratado na página BPM & Evolução, onde organizo os principais marcos e transformações da disciplina nas últimas décadas.
O papel do Escritório de Processos não é estático. Ele evolui conforme a organização amadurece.
Um Escritório de Processos é a estrutura responsável por viabilizar, sustentar e evoluir a prática de BPM (Business Process Management – Gestão por Processos de Negócio) dentro da organização.
Suas atribuições normalmente incluem:
Mas a forma como essas atribuições são exercidas faz toda a diferença.
Em organizações com baixa maturidade em BPM, é comum que o Escritório de Processos atue como executor. Ele concentra especialistas que realizam:
Funciona como uma consultoria interna. Esse modelo pode ser necessário em estágios iniciais.
Mas carrega riscos estruturais.
Quando isso acontece, BPM deixa de ser disciplina organizacional e passa a ser função isolada.
Em organizações mais maduras, o Escritório de Processos assume papel orientador.
Ele não executa no lugar das áreas. Ele estrutura, orienta e sustenta a prática.
Atua como:
Ferramentas como BPMN, BPMS, Lean e outras passam a ser utilizadas pelas próprias áreas, com suporte do escritório.
A grande diferença está na transferência de protagonismo. As áreas tornam-se responsáveis pelo desempenho de seus processos. O Escritório passa a atuar na arquitetura — não na microexecução.
Quando amadurece, o Escritório de Processos deixa de ser operacional e torna-se elemento estratégico.
Passa a apoiar:
Nesse estágio, o escritório não mede apenas eficiência operacional. Ele contribui para que a organização alcance seus objetivos estratégicos e seus compromissos institucionais.
A resposta depende do estágio de maturidade. Em fases iniciais, o modelo realizador pode ser necessário. Mas permanecer indefinidamente nesse modelo limita a evolução do BPM.
O movimento esperado é claro:
Execução concentrada → Desenvolvimento de capacidade → Orientação estratégica.
A estruturação de Escritórios de Processos e a evolução da maturidade em BPM são tratadas em profundidade no livro:
Guia de Formação de Analistas de Processos (GFAP)
A visão sistêmica da disciplina e sua integração com resultados organizacionais são discutidas em:
Reflexões críticas sobre amadurecimento institucional também aparecem em:
Dois Pontos – Reflexões Práticas sobre a Gestão por Processos
Confira em: https://www.gartcapote.com/livros
Um Escritório de Processos iniciante gera valor operacional. Um Escritório de Processos maduro sustenta transformação organizacional. A diferença não está na existência da estrutura.Está no nível de consciência sobre seu papel.
Escritórios de Processos não são áreas de apoio. São instrumentos de integração entre estratégia e operação.E a maturidade da organização pode ser medida exatamente por essa transição.
Este artigo integra o conjunto de conteúdos relacionados à página BPM & Evolução, onde organizo os fundamentos e as transformações que moldaram a gestão por processos nas últimas décadas.